quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Raquel Rolnik fala sobre o Sistema ONU e sua experiência como Relatora Especial.

Ao final da tarde desta quinta-feira, o Colóquio recebeu Raquel Rolnik, relatora especial da ONU para o direito a habitação. A palestrante falou sobre sua experiência como relatora da ONU há um ano (desde junho de 2008) e expôs as principais dificuldades que enfrenta.

Rolnik atentou para o fato de o sistema ONU ser fechado e obscuro, girando em torno de si mesmo. Segundo a relatora, mesmo trabalhando com políticas públicas de acesso à moradia, ela nunca havia ouvido falar que o direito a moradia era um direito humano e qual a implicação que isto tem para as políticas públicas urbanas. "A impressão que eu tive é de que o mundo dos direitos Humanos não dialoga com as políticas públicas desta área", comenta a relatora.
Raquel Rolnik também falou sobre a burocracia que envolve sua relatoria. Ela conta: "Sou obrigada a usar uma linguagem que quando eu olho aquele documento parece que não é meu". Outro assunto abordado foi os pedido de missões que frequentemente são negados. Quando assumiu, Rolnik enviou pedido de missão para 20 países e recebeu resposta de apenas 1.
Após apontar outros defeitos no sistema ONU, a palestrante comentou do apredizado que teve durante sua última missão nos EUA, na qual conseguiu dialogar fortemente com o governo e ter uma grande cobertura da imprensa. "Fiz tudo ao contrário das determinações da ONU ao falar com a imprensa", esclarece. Ao final da palestra, Raquel Rolnik deixou claro que seu objetivo é tornar o mais conhecido possível o direito humano à moradia: "Temos que ser capazes de trabalhar fora dali [sistema ONU] e a partir dali, com o mundo real de quem decide e implementa políticas públicas."

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