Desafios enfrentados pelo CDH para trabalhar com situações em países específicos
Durante o segundo dia de atividades, o Colóquio recebeu Philippe Dam, que falou sobre a situação atual do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU e suas principais dificuldades. Dentre os pontos abordados por Dam estão o papel da ONGs no CDH, a cooperação Sul-SUL e as expectativas para o futuro com a revisão periódica universal de 2011.Philippe ressaltou a importância da cooperação Sul-Sul sem a cumplicidade com violadores dos Direitos Humanos, mas sim com as vítimas e apoiado no diálogo. O papel das ONGs, para ele, estaria justamente em ajudar a estender essa cooperação, que hoje está restrita entre governos, para os países alvos de violação dos Direitos Humanos. O palestrante também ressaltou a importância de que as ONG's caminhem juntas atuando com o Conselho e pressionando os governos de seus países de origem.
Países Árabes e o CDH
Outro palestrante recebido foi Mustapha Kamel Al-Sayyid, professor da Universidade do Cairo (Egito). Mustapha abordou a relação dos países árabes com o CDH e discutiu a posição que eles têm assumido durante as discussões. O professor conta que 9 países árabes aderiram ao CDH e 6 fazem parte dele (Egito, Bahrein, Jornania, Quatar, Arábia Saudita e Djibouti). De acordo com ele, a posição dos países Árabes é bem sofisticada. Mustapha exemplificou com a Arábia Saudita que defende um tratamento diferente entre os países sem os submeter a uma visão universal. Em outras palavras, deveria levar-se em conta os aspectos particulares e culturais de cada país na hora de se discutir os direitos humanos. O professor explica que isso não é uma particularidade árabe. Países como China e Rússia também defendem tratamento diferenciado para culturas diferentes preocupando-se com a soberania de seus países.
Mustapha Kamel Al-Sayyid também propôs algumas ações e mudanças como persuadir governos a enviar representantes independentes em ativismo em Direitos Humanos (como é no Comitê de Direitos Humanos). Para ele, os diplomatas acabam por colocar, muitas vezes, os interesses nacionais e políticos acima de questões importantes em Direitos Humanos. Os governos de países em desenvolvimento deveriam, então, capacitar e organizar a sociedade civil para que ela participasse e entendesse o funcionamento do CDH.
Vídeo como ferramenta de advocacy
Na última palestra do dia, Tamaryn Nelson da Witness (EUA) abordou o uso do vídeo como ferramenta de advocacy. A palestrante lembrou que o vídeo é um argumento convincente, mas que é apenas uma ferramenta complementar devendo vir associada de estratégias de ação. Para os mais inibidos, Tamaryn lembrou que a produção não deve estar restrita a cineastas e jornalistas e que todos podem e devem utilizar desta ferramenta. Para tal, ela dá algumas dica: evitar vídeos voltados para Relações Públicas (vídeos com intenções institucionais) e tomar cuidado com a duração, já que os tomadores de decisão para quem o filme é voltado não possuem tempo para assisti-los. "Eles geralmente querem ir direto ao ponto. Por isso enviamos um material onde indicamos o ponto exato do vídeo que queremos que eles vejam" explica, Tamaryn.
Hoje as palestras serão sobre a Revisão Periódica Universal (RPU): Fatos Principais
Os desafios para trabalhar com o RPU
Estudo de caso: RPU
e grupos de trabalho ao final da tarde.
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